PENSOU QUE IA SE LIVRAR DE MIM??
Ainda não, pelo menos.
Oi, você, feliz ano novo!
Como foram as festas? E resoluções de fim de ano, tem alguma?
Eu mesmo nunca fui uma pessoa de resoluções porque acabo procrastinando nelas não importa o prazo que eu me dê. Meu foco é mais colocar tentar manter uma fila de vontades e necessidades e focar o máximo no que estou fazendo no momento.
Por exemplo, faz uns 2 anos que planejo e ensaio começar a escrever uma Visual Novel. Eu cheguei até a esboçá-la ano passado, mas uma ideia de livro me arrebatou e pulou para cima na prioridade. Desde então, há pelo menos 8 meses, estou vagarosamente escrevendo uma história só no tempo livre que tenho — e quando não esteja cansado demais para odiar fazer qualquer coisa.
Portanto, minha resolução é sempre terminar a atual e depois pensar na próxima. Se não for assim, não consigo sair do lugar. Se eu vejo uma escada muito grande, desisto de subir. Preciso baixar a cabeça e preocupar com cada degrau.
Fora isso, o que mais posso falar sobre a virada do ano?
Não acho que é um momento para entrar em detalhes, mas não venho lidando bem com a tal autoestima. Quer dizer, ela nunca foi das melhores. Existe um nível basal que já me acostumei, de não me achar suficiente e acabar me resignando com isso.
Você sabe, o de sempre.
Mas tem hora que ela consegue baixar mais ainda, sabe-se lá como. Nessas horas, a comparação de resultados de qualquer coisa vira um autoflagelo.
Pelo menos, não é nada que não tenha passado antes. Felizmente, tenho os mecanismos mentais e laboratoriais para lidar melhor do que lidava no passado. A experiência com a idade ajuda em tudo, até na hora de conviver com nós mesmos.
Enfim, não é o ano novo mais inspirador do mundo, mas também não é o mais triste. Pra mim, 2026 parece uma continuação, espero que com consequências felizes em relação ao que foi iniciado em 2025.
Meu livro novo, por exemplo, continuo escrevendo, mesmo sem muita perspectiva de que tenha um público pra ele. Mas eu sei que, quando pronto, a esperança vai voltar. Quantas vezes já desisti do resultado comercial da coisa e, mesmo assim, espero por uma notícia boa da próxima vez. Aquele negócio de fazer igual e esperar resultados diferentes. Eu sou mestre nisso.
Mas, ei, pelo menos a newsletter voltou! E estou aqui feliz de poder só sair escrevendo. Se você ler, já valeu a pena. Mesmo achando que consegue voar por conta própria, a gente sempre salta torcendo para uma mão nos segurar no meio do caminho.
[Literatura]
Vou aproveitar a primeira newsletter do ano para repassar algumas coisas que li, ouvi e assisti em 2025, começando pelos livros.
Infelizmente, não tenho lido o tanto que gostaria de um tempo pra cá. Mas esse ritmo melhorou bastante recentemente. Fiquei feliz de voltar a ter o tempo e o gosto de parar tudo para apenas ler e existir.
Na ESESSE #2, falei sobre como marcar tudo o que experiencio de conteúdo me gera ansiedade. Curiosamente, livros e filmes não me causam isso.
Minha teoria sobre os filmes: duram no máximo 2 horas, não dá tempo de ter ansiedade de terminar logo.
Já para a leitura, não sei exatamente por que não fico ansioso. Curioso, né? Como nos últimos anos tenho demorado muito para terminar cada livro, ter uma lista deles me ajuda a lembrar todas as histórias que me fizeram pensar na vida, em mim mesmo, ou só em um lugar maneiro com tirinho, magia ou nave espacial.
Por exemplo: vendo a lista, lembrei que, logo no começo de 2025, finalmente li O Silmarillion. Minha edição é aquela da Martins Fontes de 1999, que descobri só agora que foi a primeira publicada no Brasil. O que significa, também, que já tinha há 20 anos o livro em casa e nunca tinha lido!
Foi, ao mesmo tempo, um retorno à adolescência e à Terra Média. Lá e de volta outra vez.
[Cinema]
Assistir filmes é um hobby que tenho há muito tempo. Como eu disse, acho que o fato de conseguir experenciar uma história em 2 horas me ajuda a continuar conhecendo novas ideias, novos mundos, sem que a ansiedade me dê uma rasteira.
Foram 82 filmes vistos em 2025! Não foi um ano com grandes destaques, acho que tive mais decepções do que surpresas positivas. Ao rever minhas avaliações no Letterboxd, percebi que não dei nenhuma nota 5★. Acho que é a primeira vez que isso acontece desde que comecei a dar nota pros filmes. Veremos 2026.
[Música]
Segundo o recap do Youtube Music, meu ano na música foi basicamente K-pop e outros Pop.
É curioso como meu gosto vem mudando com o tempo. Quando comecei a escolher minha própria música, sem ser o rádio dos pais, fui direto para o rock. Sim, eu fui emo, embora minha franja fosse apenas na alma.
Com o tempo, comecei a preferir músicas que me levantam o espírito ou que trazem algo de diferente na letra. Uma história, uma perspectiva, algo pessoal. Felizmente, o Pop hoje tem muitos artistas capazes de trazerem mais do que o sentimento genérico de festa do início dos anos 2000. Muita gente associa o fim dessa era ao primeiro CD da Lorde, em que ela, emblematicamente, diz: “Eu tô meio cansada de me dizerem pra jogar os braços pra cima“.
Hoje, felizmente, dá pra fazer as duas coisas. Curtir a vibe sem ficar com os braços dormentes.
Falando em música, sempre que alguém diz “um novo ano começou“ me vem na cabeça a música que mais perfeitamente encapsula o sentimento da virada.
Em High School Musical: O Desafio (sim), o filme começa com o que deve ser a melodia mais agoniada que já fizeram para algo que deveria ser feliz. Eu não sei se é uma escala menor, se é a forma como os atores estão cantando, sei lá. A letra demonstra uma grande expectativa para um ano de esperanças e coisas boas, mas ela bate como um suplício de “por favor, de novo não”.
Quem nunca.
[Finalmentes]
Sim, o ano novo começou. O que nos resta é continuar com esperanças bem lá no fundo, enquanto fazemos cara de “nem queria mesmo“.
Até a próxima!
Guilherme L. A. Pimenta

